
SENHOR!
DONO DAS PANELAS E MARMITAS!!!
NÃO POSSO SER A SANTA QUE MEDITA AOS VOSSOS PÉS.
NÃO POSSO BORDAR TOALHAS PARA O VOSSO ALTAR.
ENTÃO, QUE EU SEJA SANTA AO PÉ DO MEU FOGÃO.
QUE O VOSSO AMOR ESQUENTE A CHAMA QUE EU ACENDI E FAÇA CALAR MINHA VONTADE DE GEMER A MINHA MISÉRIA.
EU TENHO AS MÃOS DE MARTA.
MAS QUERO TAMBÉM TER A ALMA DE MARIA.
QUANDO EU LAVAR O CHÃO, LAVE SENHOR, OS MEUS PECADOS.
QUANDO EU PUSER A MESA A COMIDA, COMA TAMBÉM, SENHOR, JUNTO CONOSCO.
E AO MEU SENHOR QUE EU SIRVO, SERVINDO A MINHA FAMÍLIA.

É na religiosidade, nos cultos e rituais que inúmeras mulheres, no passado e no presente, vêm encontrando uma fresta através da qual conseguem expressar pensamentos, aliviar sofrimentos e tocar a vida adiante. Se fizermos uma análise apurada, muitas bruxas e santas foram pessoas subversivas, não conformistas, que podem ser consideradas no seu conjunto como um grupo de mulheres que contribuiu para que o feminino se insinuasse na ordem social, contrariando os pressupostos de serem naturalmente pertencentes a um sexo passivo e dócil. Vimos as palavras uma mulher que não pede louvações nem glórias. Seu desejo parece ser o de compartilhar seu sofrimento, numa espécie de desabafo. Vimos nesta oração, uma camponesa anônima de Madagascar pede ao Criador forças para conseguir silenciar seu martírio. “Que seu amor esquente a chama que eu acendi e faça calar minha vontade de gemer a minha miséria.” A religiosidade claramente explicitada pela prece da camponesa pode ser observada nesta oração.
ResponderExcluirRonaldo Lírio.